quinta-feira, 27 de maio de 2010

Você é o que você come

Mariana Francavilla


Quando o corpo atinge a maturidade fisiológica, a mudança degenerativa se torna maior que a taxa de regeneração celular, resultando em uma perda de células, que leva à diminuição da função orgânica. O envelhecimento é marcado pela progressiva perda de massa corpórea e aumento de tecido adiposo, assim como mudanças na maior parte dos sistemas fisiológicos, tendo por conseqüência a redução do metabolismo. Estas mudanças têm sido objeto de estudo e até especulação na busca de maior longevidade e um envelhecimento saudável. Todavia a boa nutrição e atividade física têm sido constatadas como os maiores responsáveis pela melhoria da qualidade de vida e saúde da população.

No envelhecimento, há alteração no metabolismo do cálcio e vitamina D, acelerando a perda óssea e contribuindo para o desenvolvimento da osteoporose. Pode haver, também, diminuição da tolerância à glicose, associada ao processo de envelhecimento, levando à deficiência de insulina. A diabetes pode ocorrer pela não produção dessa taxa (tipo I), ainda na idade infantil. Na idade madura essa deficiência causa a diabetes tipo II - dificuldade encontrada pelo prâncreas para processar o açúcar no organismo adulto-, é causada por má alimentação e obesidade. Em diabéticos obesos, o exercício físico melhora a sensibilidade à insulina diminuindo as taxas de glicose sanguínea, o consumo de medicamentos, além de reduzir significativamente o excesso de peso corporal.

O idoso está mais sujeito a deficiências nutricionais, devido à agudização de determinadas doenças, ocasionando o risco de deficiências de certos nutrientes, como vitamina B12, ácido fólico, ferro, vitamina A e C. Por outro lado, a manutenção da mesma quantidade de alimentos, usualmente ingerida na vida adulta, pode levar ao excesso de peso ou obesidade.

O exercício físico na velhice do homem moderno é a melhor opção por repercutir diretamente e em curto prazo na qualidade de vida e sensação de bem-estar. Está comprovado que o exercício regular diminui a pressão arterial de indivíduos portadores de hipertensão arterial e diminui os níveis de triglicerídeos e de LDL plasmáticos (fração ruim do colesterol) e, ainda, eleva o nível de HDL plasmático (fração boa do colesterol). O exercício contribui, também, na prevenção de quedas por meio de diferentes mecanismos: fortalece músculos, melhora reflexos, a flexibilidade, matém o peso corporal, melhora a mobilidade e diminui o risco de doenças cardiovasculares.

Um idoso, de modo geral, necessita de menos calorias do que o adulto. Isso significa que para manter o peso da faixa da normalidade é necessário reduzir a quantidade de alimentos ingeridos mantendo alimentos como cereais, frutas, verduras e legumes, que são ricos em fibras, vitaminas e sais minerais. Principalmente alimentos antioxidantes, como brócolis, tomate, cebolas, alho, cenoura, couve de Bruxelas, couve comum, couve-flor, repolho e as frutas em geral, eficazes no combate aos radicais livres (substâncias que agem negativamente em nossa células). Aumentar a ingestão de líquidos a fim de manter o corpo sempre hidratado, faz estimular também o bom funcionamento intestinal. A hidratação é fundamental para quem pratica atividade física. Nos idosos o problema é a redução da sede. Para esse grupo, nutricionistas receitam, no mínimo, um litro e meio de água por dia, principalmente refrescos naturais e sucos. O professor Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues, coordenador de doutorado em Ciências do Esporte da Universidade federal de Minas Gerais, diz que as pessoas tendem a negligenciar a sede.

- "A desidratação altera respostas fisiológicas, sobrecarrega o sistema cardiovascular e prejudica as funções do cérebro. Há até riscos de coma e morte", - enfatizou Rodrigues.

A boa alimentação, além da função de nutrição, fornece prazer e conforto, devendo ter boa apresentação e tempero adequado. Os médicos e nutricionistas recomendam cinco a seis refeições diárias, em pequenos volumes e variações de alimentos.

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